O Papa Francisco reconheceu nesta terça-feira (26), em sua
primeira Exortação Apostólica, que está "aberto a sugestões" para
reformar o papado. Ele convidou a Igreja Católica a realizar uma "reforma
profunda" de suas estruturas.
"Cabe a mim, como Bispo de Roma, estar aberto às
sugestões que se orientem a um exercício de meu ministério que o torne mais
fiel ao sentido que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades atuais da
evangelização", escreveu o Papa no documento de 142 páginas chamado de
"Evangelii Gaudium" ("A Alegria do Evangelho"), primeiro
texto pessoal de seu pontificado.
No texto, o pontífice argentino também "suplicou"
aos Estados muçulmanos que garantam a liberdade religiosa aos cristãos,
"levando em conta a liberdade gozada pelos islâmicos nos países
ocidentais".
A declaração ocorre sete anos após a tensão no mundo
muçulmano causada pelas declarações do então Papa Bento XVI em Regensburg
(Alemanha) relacionando o Islã à violência.
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| Papa acenando com a mão (Foto: Divulgação). |
O Papa Francisco se mostrou preocupado com os
"episódios de fundamentalismo violento", mas também clamou pelo fim
das "odiosas generalizações", "porque o verdadeiro Islã (...) se
opõe à toda violência".
Francisco também afirmou que "não se deve esperar que a
Igreja mude sua postura" sobre a questão do aborto, pois o assunto não
está sujeito a "supostas reformas ou modernizações. Segundo ele, "não
é progressista pretender resolver os problemas eliminando uma vida
humana".
No entanto, Francisco reconheceu que "fizemos pouco
para acompanhar as mulheres que se encontram em situações muito duras, onde o
aborto se apresenta como uma rápida solução para suas profundas angústias,
particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como produto de um
estupro ou em um contexto de extrema pobreza".
"Quem pode deixar de compreender essas situações de
tanta dor?", perguntou.
Segundo o Papa, "a Igreja quer cuidar com predileção
das crianças por nascer, que são os mais indefesos e inocentes de todos, a quem
hoje se quer negar sua dignidade humana para se fazer com eles o que se deseja,
tirando-lhe a vida e promovendo leis para que ninguém possa impedir".
Ele acrescentou que "frequentemente, para ridicularizar
a defesa que a Igreja faz de suas vidas, procura-se apresentar sua postura como
algo ideológico, obscurantista e conservador".
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| Papa Francisco (Foto: Divulgação). |
A defesa da vida por nascer "está intimamente ligada à
defesa de qualquer direito humano", sustentou.
"Ela representa a convicção de que um ser humano é
sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa de seu
desenvolvimento."
Exclusão social
Ele advertiu que a desigualdade e a exclusão social
"geram violência" no mundo e podem provocar "uma explosão".
"Até que não se revertam a exclusão e a iniquidade
dentro de uma sociedade e entre os distintos povos será impossível erradicar a
violência", escreveu.
Sobre a Igreja
"Prefiro uma Igreja ferida, dolorida e suja porque
esteve nas ruas, a uma Igreja empobrecida por estar confinada e se agarrando a
sua própria segurança."
"A centralização excessiva, mais do que ajudar,
complica a vida da Igreja e seu alcance missionário."


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